quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

39. Pânico

Resposta do teste 38: c

Teste 39: pânico
a)   Pan, deus dos bosques, das pastagens e dos pastores. Dentre os deuses da mitologia grega, Pan era dos mais tranquilos, matando o tempo em bucólicos passeios pelos campos do Olimpo. Agora, que ninguém se atrevesse a incomodá-lo durante sua soneca após o almoço. Pan acordava num mau humor tal, que soltava um grito pavoroso, assustando as ovelhas e fazendo-as disparar em todas as direções. Em outras palavras, elas e, mais do elas, os pastores, entravam em pânico. Vocês não imaginam o que eles diziam de Pan quando isso acontecia.

b)    São Felipe, um dos doze apóstolos, muito querido de todos por sua bondade e pelos pães deliciosos que ele sabia assar. Após a ressurreição de Cristo, Felipe foi enviado, juntamente com sua irmã Mariana, para pregar na Grécia, Frígia e Síria, lugares perigosos até hoje. Na cidade de Hierópolis, São Felipe operou um milagre: curou a mulher do procônsul e converteu-a ao cristianismo. O procônsul, pê da vida, mandou crucificá-lo de cabeça para baixo. Mesmo assim, Felipe continuou a pregar. A multidão, comovida, pediu que o procônsul aliviasse a barra de Felipe, mas este protestou, dizendo que estava tudo bem e que eles não precisavam se incomodar. Morreu na cruz. Hoje em dia, os devotos de São Felipe representam-no na cruz, com uma cesta de pães e outras coisas que não vêm ao caso. Reza a lenda que alguém roubou os pães durante a noite e Felipe ficou desesperado, isto é, em pânico, gritando até morrer: “I miei pani! Dove sono i miei pani, porca miseria?”

c)   Ludwig van Beethoven (1770-1827), compositor alemão, autor de, entre outras obras, nove sinfonias – uma mais espetacular do que a outra, principalmente porque ele foi perdendo a audição progressivamente, tendo ficado, por volta de 1796, aos 26 anos de idade, surdo como uma porta. Exatamente por isso, num acesso de raiva, ele criou a imortal e popularíssima Sinfonia n.º 5 em dó menor Op. 6, composta entre 1804 e 1808. O início, transcrito abaixo, é uma sucessão de pan-pan-pan-pan verdadeiramente assustadora. Daí a associação de pânico ao desespero de Beethoven em não conseguir ouvir direito as obras primas que ele próprio compunha.
  


{\clef treble \key c \minor \time 2/4 {r8 g'8[ g'8 g'8] | ees'2\fermata | r8 f'8[ f'8 f'8] | d'2~ | d'2\fermata | } }

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

38. narcisismo

Resposta do teste 37: a

Teste 38: Narcisismo
a) Narchiso da Vero (1780-1836), tenor da Companhia Lírica de Verona. Morreu em pleno palco, ao interpretar Fígaro, da peça “Le nozze di Figaro”, de Mozart, na famosa Arena de Verona. Embora muito bem preservada, a acústica da Arena deixava muito a desejar. Ao ar livre, com todas aquelas aberturas e frestas laterais, os cantores eram obrigados a um grande esforço para que suas vozes chegassem aos ouvidos da plateia. Foi num dó agudo que Narchiso, ao se ver no espelho do quarto de Susanna, se encanta e solta a voz além dos seus limites. Caiu duro na cama de sua noiva. Foi o prmeiro mártir da ópera italiana.

b) Arnau Porras Narsis (1712-1731), vidraceiro catalão. Colocar vidraças novas em janelas velhas era um serviço enfadonho e Arnau, depois de alguns anos, passou a executá-lo sem muito gosto, prestando pouca atenção ao que fazia. Preferia distrair-se olhando as caretas engraçadas que fazia diante do vidro dos caixilhos. No dia 31 de agosto de 1731, Arnau desequilibrou-se do andaime em que estava sentado e estatelou-se na calçada de Las Ramblas, em Barcelona.  


c) Narciso, deus da mitologia grega, que se apaixonou por sua própria imagem refletida na água de uma lagoa. Ficou tão encantado que não saiu mais de lá, e acabou morrendo de amor ali mesmo, repetindo sem parar: “Como eu sou lindo, como eu sou lindo, como eu sou lindo, por Júpiter!” Em1914 Freud, num ensaio cujo título era ‘Sobre o narcisismo’, contribuiu para popularizar essa desmedida admiração por sua própria aparência física. Hoje o narcisismo é considerado uma patologia.  

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

37: sanduíche

Resposta do teste 36: b

Teste 37: sanduíche
a)     Sir John Montague (1718-1792), o 4o Conde de Sandwich, famoso por ter patrocinado as viagens do Capitão James Cook, descobridor da Austrália, mas sobretudo por ter inventado o sanduíche. Viciado em jogos de cartas, era capaz de passar dias numa mesa de jogo, sem sequer se levantar para comer alguma coisa. “James,” gritava ele para o seu mordomo. “Prepare-me duas fatias de pão.” “Devo colocar entre o quê entre elas, senhor?” “O que você quiser.” Esta versão talvez seja um mito.

b)   Casimiro Pinto Sandwich, filho de pai americano e mãe brasileira, estudante de Direito da São Francisco, frequentador do bar Ponto Chic, no Largo Paissandu em São Paulo. Seu apelido era Bauru. Não preciso dizer por quê, né? Uma noite em 1936, morto de fome, ele entrou no Ponto Chic e pediu pão com carne, queijo mussarela, tomate e molho de pimenta. Estava inventado o sanduíche que anos mais tarde ficou conhecido como bauru. 


c)   James Cook  (1728-1779), explorador, cartógrafo e capitão da Marinha Real Britânica. Em suas viagens pelo sul do Pacífico, descobriu, além da Austrália e Nova Zelândia, inúmeras ilhas das quais nunca se tinha ouvido falar. Numa delas, encantou-se com um prato típico local, feito de uma enorme fatia de pão redondo, tomate, pimentão e diversas especiarias. Em homenagem a Sir John Montague, o 4o Conde de Sandwich, batizou tanto a ilha como a iguaria com o nome de seu benfeitor.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Resposta do teste 35: a

Teste 36: Nicotina
a)   Nicotine de Lyon (?-1616), dama de companhia de uma senhora arrogante, eternamente desconfiada que seus serviçais lhe roubavam a comida. E roubavam mesmo. Não Nicotine, que descobriu na despensa da casa um saco cheio de folhas de tabaco, que ela usava para queimar e aspirar a fumaça. Um dia, a senhora sentiu o cheiro, desceu até a cozinha e flagrou Nicotine toda chapada. A senhora também gostou do cheiro e passou a compartilhar com Nicotine aquela fumacinha viciante. Ambas morreram de câncer em 1616.

b)   Jean Nicot (1530-1600), embaixador francês em Portugal, encarregado de negociar o casamento da princesa Margaret de Valois, de 6 anos, com o rei Sebastião, de 5.
O casamento não vingou, mas durante as negociações, Nicot conheceu o tabaco. Acreditando nas propriedades medicinais da planta, ele criou uma espécie de unguento de tabaco e passou num homem com um tumor na pele. O homem sarou! Depois disso, ele introduziu na corte de Paris o hábito de cheirar pó de tabaco. Foi o maior barato: todos aqueles aristocratas afrescalhados aderiram à moda. Nicot também escreveu um dicionário, “Thresor de la langue françoyse tant ancienne que moderne”, publicado seis anos após sua morte, mas ninguém se lembra dele por causa do dicionário. 


c)   Sir Walter Nycott (pronuncia-se /ˈnaikɑt/) (1554-1618), um aventureiro inglês. Foi poeta, espião, político e proprietário de terras na Irlanda. Dizem as más línguas que também foi amante da rainha Elizabeth I, a ‘Rainha Virgem’, believe it or not. Em 1594, partiu para a América do Norte em busca do El Dorado, a Cidade de Ouro. Foi na região onde hoje se situa o estado de Virgínia que ele tomou conhecimento do tabaco, que os índios fumavam desbragadamente. Aliás, foi por isso que foi tão fácil tomar as terras dos índios. Eles tossiam o tempo todo e não lutavam para se defender. Nycott (repito: pronuncia-se /ˈnaikɑt/) levou umas folhas de tabaco para Londres e a rainha logo se viciou. Para homenagear seu ‘amigo’, nomeou-o cavaleiro e deu o nome de nicotina à substância tóxica encontrada na planta.   

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

35. Daltonismo

Resposta do teste 34: b

Teste 35: Daltonismo
a)   John Dalton (1766 - 1844), cientista, pesquisador e professor de ciências inglês, que dedicou toda a sua vida à pesquisa e ao ensino. É de sua autoria a famosa Lei de Dalton, segundo a qual a pressão total em uma mistura gasosa é exatamente igual à soma das pressões parciais de seus gases componentes. Em linguagem mais acessível: Ptotal = P1 + P2 + P3 + ... + Pn 
Dalton sofria de uma até então desconhecida enfermidade: ele não distinguia cores, o que o deixava pê da vida. Fez de tudo para encontrar uma cura para o que ele modestamente chamou de discromatopsia, mas o máximo que conseguiu foi descrevê-la em detalhes. O daltonismo é incurável.

b)   Rory Dalton (1883-1951), poeta e romancista irlandês, autor, entre outras obras, de “The King of Ireland's Son”, um livro infantil, do qual extraímos o seguinte trecho, seguido da tradução: 
His hound at his heel,
His hawk on his wrist,
A brave steed to carry him whither he list,
The blue sky above him,
The green grass below him
Seu fiel cão seguindo-lhe os passos,
Seu falcão pousado no braço.
Um valente cavalo para levá-lo aos duelos com lanças.
O céu azul sobre a cabeça,
A grama verde sob os pés.

O diabo é que ele não conseguia distinguir o verde do vermelho, ou o azul do amarelo. Na versão original ele tinha escrito:
The yellow sky above him,
The red grass below him
Se não fosse pelo editor do livro, este lindo poema teria sido motivo de chacota.

c)   Joaquim Mendes Daltão (1850-1924), vinicultor português. Desde criança, sempre teve muita dificuldade para distinguir os diferentes tipos de vinho que seu pai produzia, o que não poucas vezes lhe causava inúmeros transtornos, além de homéricas surras que seu pai amiúde lhe aplicava. Para ele, o vinho tinto era azul, o verde era amarelo e o branco, verde claro. Intrigado, foi para Coimbra estudar sua estranha condição. Anos depois, com a publicação de inúmeros papers sobre certas peculiaridades da visão, Daltão desenvolveu a teoria da cegueira congênita para as cores, doença da qual ele próprio padecia.


34. Lei de Murphy

Resposta do teste 33: c

Teste 34: Lei de Murphy
a)   Eddie Murphy (1961- ), ator americano que atuou em inúmeros filmes de sucesso, tais como “O Professor Aloprado”, “Um Tira da Pesada” e “Um Vampiro no Brooklin”, além de emprestar sua voz como dublador de personagens memoráveis, tais como Donkey na série Shrek e Thurgood Stubbs em Os PJs.  Antes de alcançar o sucesso, Murphy comeu mui grama, tendo sido recusado por vários estúdios, o que o fez cair em depressão e tornar-se um alcoólatra, não necessariamente nessa ordem. Num dia de completa fossa, após meia garrafa de bourbon antes do almoço, ele desabafou: “Any bad shit that seems to want to happen will happen no matter what the fuck you do about it!” Depois, já sóbrio, ele suprimiu os palavrões e a frase ficou assim:Anything that can go wrong will go wrong.”

b)   Edward Murphy (1919-1990), engenheiro aeroespacial americano, nascido na zona (no bom sentido) do Canal do Panamá. Estudou na Academia Militar de West Point. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na região da Índia, China e Myanmar. De volta da guerra, passou a realizar experiências com aviões militares no Instituto Aeronáutico dos Estados Unidos. Foi aí que ele declarou que era sempre prudente estar preparado para o que ele chamou de “worst-case scenarios”. Este conselho foi aos poucos sendo adulterado, até chegar à famosa Lei de Murphy, segundo a qual “tudo que pode dar errado vai dar errado.” Ele sempre negou ter dito isso, mas não teve jeito: mesmo depois de morto, foi agraciado com o Prêmio Ig Nobel por essa lei que ele não criou. Deve estar se revirando no túmulo até hoje.


c)   Malcolm Angus Murphy (1880-1917), soldado escocês, herói da 1ª Guerra Mundial. Ferido de raspão na orelha esquerda durante um ataque alemão na batalha do Marne, na França, entre os dias 6 e 9 de setembro de 1914, Murphy pediu ao seu comandante, Capitão Lewis, que fosse levado para fora da trincheira em que se encontrava há semanas e internado num hospital. Levou um esculacho do seu superior. “What? Só por causa de um arranhãozinho na orelha?” “É que pode infeccionar, Comandante.” “Não vai nada. Cala a boca.” Infeccionou. “Comandante, I’m afraid isto está gangrenando, O senhor não quer dar um olhada?” “Não quero, não.” Gangrenou. Murphy começou a delirar de febre, dizendo a si mesmo: “Se uma feridinha pode infeccionar e gangrenar, ela vai infeccionar e gangrenar. Fuck you, Captain Lewis.” Foram suas últimas palavras.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

33. Doença de Chagas

Resposta do teste 32: a
Teste 33: Doença de Chagas
a)   Manuelzão Chagas, vaqueiro e amigo de Guimarães Rosa. O autor de “Grande Sertão: Veredas” passou uma semana em companhia de Manuelzão e outros vaqueiros, tocando uma boiada pelo sertão de Minas Gerais, anotando nomes de lugares, palavras e expressões típicas do linguajar sertanejo. Foi nessa empreitada que Manuelzão pegou um febrão, acompanhado de inchaço do fígado, do baço, além de ínguas espalhadas por todo o corpo. Guimarães Rosa, que também era médico, tratou do boiadeiro e batizou sua doença como Mal de Chagas.
b)    Domingos de Chagas (1911-1936), barbeiro, natural de Muzambinho, pequena cidade localizada no sul de Minas Gerais. Curiosamente, nos primeiros anos do século XX, Domingos era o único barbeiro da cidade, mas a região estava infestada de “barbeiros”, insetos hematófagos da subfamília Triatominae. Enquanto fazia a barba de um freguês, Domingos sentiu que um desses insetos fazia cocô no seu braço. Não deu muita bola, preocupado que estava em manejar corretamente sua navalha. Depois de alguns dias, as reações começaram: febre, gânglios linfáticos aumentados e dor de cabeça. Tratado por sua esposa com chá de arnica, veio a falecer duas semanas depois.

c)     Carlos Justiniano Ribeiro Chagas (1879-1934), médico e pesquisador especialista em doenças tropicais. O primeiro e único cientista a descrever nos mínimos detalhes todo o ciclo da tripanossomíase, doença que acabou recebendo o seu nome, doença de Chagas. Ao contrário do que se pensa, ele próprio nunca foi picado pelo barbeiro. Para formar-se em medicina, teve de vencer a resistência da mãe, que queria vê-lo formado em engenharia e meio que na marra, matriculou-o na Escola de Minas de Ouro Preto. Só pra chatear sua mãe, foi reprovado. Aos 18 anos, passou a cursar a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e, já formado, tornou-se amigo de Oswaldo Cruz, a quem rendeu homenagem batizando o novo parasita por ele descoberto de Triponosoma cruzi.