sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

17. Trompas de Falópio

Resposta do teste 16: c
Teste 17: Trompas de Falópio
a) Antonio Totó Falopelli (1565-1640) dentista e cirurgião italiano, natural da cidade de Pádua. Uma vez que a dissecação (ou dissecção) de cadáveres era vista, por motivos religiosos, com muita resistência, Falopelli fazia cirurgias mais ou menos às cegas, baseado nos trabalhos de Galeno, médico romano do século III. E foi numa dessas operações que ele observou e depois descreveu as trompas que hoje levam seu nome. Na época foram chamadas simplesmente de ‘due tubone’.
b) Gabriele Falloppio (1523-1562), médico e cirurgião italiano. Anatomista de renome, foi professor em várias universidades italianas, sempre focado no aparelho reprodutor feminino. O homem só pensava naquilo. O par de tubos que levam os óvulos do ovário ao útero foram descritos com precisão nos inúmeros livros de anatomia que escreveu. Alardeou aos quatro cantos que tinha descoberto o clitóris, mas foi desmentido por um outro cientista, Caspar Bartolin, que declarou: “Ma che catzo, Dottore, Il clitoride è conosciuto da secoli!”

c) Falopius (século IV d.C), escravo etíope e barbeiro. Embora especializado em atender soldados feridos em batalhas, que eram operados a sangue frio, sem anestesia e sem nenhuma assepsia, Falopius recebia também mulheres com problemas uterinos. Para todas, sem exceção, receitava sangria, que consistia na extração de sangue através de uma leve punhalada no abdomen. As que morriam eram posteriormente dissecadas e estudadas. As demais nunca mais voltavam lá.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

16. draconiano

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est.

Resposta do teste 15: a

Teste 16: draconiano
a)   Pepino Draconi (1257-1325), juiz de direito nascido em Florença. Foi contemporâneo e amigo de Dante Alighieri, até que se desentenderam por causa de uma menina chamada Beatrice Portinari, filha de Folco dei Portinari, um ancestral distante de nosso grande pintor Cândido Portinari. A partir do rompimento de suas relações com Dante, Pepino, profundamente ressentido, passa a proferir sentenças pesadíssimas a qualquer réu acusado do mais leve delito. Dante Alighieri resolveu prudentemente mudar-se para Ravena e esperar que o implacável juiz morresse.

b) Draconius (século I a.C), feitor de escravos de origem trácia, a serviço do Senado romano. Cuidava pessoalmente dos gladiadores que se apresentavam no Coliseu de Roma ou na Arena de Verona. Ai daquele que tentasse fugir! Draconius não descansava enquanto não o capturava e o executava com requintes de crueldade diante do que ele chamava de Senatus Populusque Romanus. Embora trácio, Draconius sabia falar latim fluentemente.

 c) Dracon, Draco ou Dracão, legislador ateniense do século VII a.C. O homem era fogo! Indicado para redigir um conjunto de leis, Dracon elaborou um código penal impiedoso e implacável, muito ao contrário dessas leis frouxas que abundam (!) no Direito brasileiro. Poucos eram os delitos que não eram punidos com a pena de morte. Seu lema era: Ο νόμος είναι σκληρός, αλλά είναι ο νόμος. Acho que é disso que o Brasil precisa: leis draconianas.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

15. Síndrome de Down

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est
Resposta do teste 14: a
Teste 15: Síndrome de Down
a)   John Down (1828-1896), médico inglês que, trabalhando num manicômio (Asylum for Idiots, como eram então chamadas as instituições que abrigavam deficientes mentais – eta nome politicamente incorreto!), percebeu que certos pacientes compartilhavam as mesmas características físicas. Chamou-os de mongoloides, imaginando – quanta ignorância! – que na Mongólia todos tinham aquela aparência. Os mongóis não devem ter gostado nada desse nome. Embora o dr. Down nem de longe tivesse a mais remota ideia de que a síndrome que leva seu nome estivesse associada á presença de três cromossomos 21 em todas ou na maioria das células de um indivíduo, ele acabou levando a honra de batizar esta alteração genética.
b)   Peter Upndown (1934-1908), médico nascido no País de Gales e professor de psiquiatria da Prifysgol Caerdydd (ou Universidade de Cardiff, para quem não está familiarizado com o galês). Desenvolveu a teoria de que o portador dessa anomalia genética é vítima de influências hereditárias que remontam aos mais remotos estágios da evolução humana. Positivista fanático, baseava seus estudos nas teorias evolucionistas de Darwin. Hoje se sabe que não é nada disso, mas até agora ninguém se atreveu a mudar o nome da síndrome.

c)   Jarogniew Trzetrzelewska (1878-1955), cirurgião vascular polonês. Pioneiro no estudo sistemático dos cromossomos, descobriu, ainda jovem, que o núcleo de cada célula contém 23 pares de cromossomos, metade dos quais são herdados do pai e metade da mãe. A síndrome de Trzetrzelewska se dá no momento da concepção, quando se verifica a presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Como Trzetrzelewska é um nome praticamente impronunciável. a Academia de Ciências da Suécia, ao outorgar-lhe o Prêmio Nobel de Medicina de 1908, resolveu traduzir seu nome para o equivalente em inglês: Trzetrzelewska significa ‘para baixo’ em polonês.  

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

14. diesel

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est
Resposta do teste 13: b
Teste 14: diesel
a) Rudolf Diesel (1854-1913), engenheiro francês, filho de imigrantes alemães. Inventou um motor a combustão, depois de chegar à conclusão de que os motores movidos a gasolina e a vapor que existiam à época eram ineficientes. “Ils sont de la merde,” ele não se cansava de dizer. O motor que ele idealizou trabalhava com óleo vegetal e foi esse óleo que recebeu o nome de diesel em sua homenagem, o que, cá entre nós, é uma bobagem, já que ele não inventou o óleo e sim o motor. Morreu misteriosamente numa viagem de barco quando ia da Bélgica à Inglaterra. Até hoje não se sabe se ele se matou ou foi assassinado. Hoje isso não tem mais importância.
b) Hans-Dietrich Diesel (1835-1902), maquinista de trem da linha Köln-Bonn. Em 1846, Diesel sofreu um grave acidente com a caldeira de seu trem a vapor. Ficou três meses internado em um hospital, e foi durante esse tempo que ele teve a ideia de explorar os efeitos de uma reação química que acontece quando se injeta óleo num recipiente com oxigênio, causando uma explosão ao se misturarem. Até o seu invento dar certo e ele poder patenteá-lo, Diesel precisou fazer uma série de testes com a bomba injetora e as engrenagens. Sofreu mais dois acidentes. Não conseguiu sobreviver ao último, em 1902. Foi enterrado como um mártir da ciência.

c)   Lars Diesel (1789-1815), estudante holandês. Jovem de enorme talento para as ciências e grande intuição, visualizou, observando a mãe cozinhar num fogão a lenha, que o processo de cozimento poderia ser aperfeiçoado se sua mãe usasse um óleo derivado da destilação do petróleo bruto usado como combustível. Daí à invenção do motor a combustão interna foi um pulo. Lars Diesel morreu intoxicado com o forte odor do seu invento na cozinha de sua casa em Utrecht. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

13. dérbi

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est
Resposta do teste 12: c
Teste 13: dérbi
a)   Royal Derby, garanhão vencedor de 36 corridas consecutivas entre 1902 e 1012. Seu proprietário, sir Alfred Hiccock Lewis, chegou a recusar uma oferta de 200.000 libras pelo cavalo. Sua esposa (a de Lewis, não de Derby) teve um ataque de nervos e pediu o divórcio diante da relutância do marido em vender o animal. “Bloody idiot,” disse ela diante do juiz. Pegou mal, uma vez que uma dama vitoriana não dizia essas coisas em público. Curiosamente, Royal Derby nunca mais venceu uma corrida. Passou seus últimos dias numa das fazendas de sir Alfred, levando na garupa os netos do seu antigo dono.

b)   O 12º Conde de Derby, Edward Smith-Stanley (1752-1834) e um grupo de amigos, todos ricaços desocupados, resolveram promover uma corrida de cavalos, que deveriam ter, exatamente. 3 anos de idade, não mais, não menos. Cada um entraria com seu animal predileto e o vencedor receberia um prêmio. A história não registra de quem foi o cavalo campeão. Supõe-se hoje que tenha sido o cavalo de Edward Smith-Stanley. Mas isso não vem ao caso. O que importa é que, como tudo que acontece na inglaterra, essa competição passou a ser mais uma daquelas tradições britânicas, destinadas a atrair turistas e realizadas em Epsom. A Rainha, vidrada em cavalo, comparece todo ano.



c)   Na Terça-Feira Gorda (Terça-Feira de Carnaval – Mardi Gras em inglês), era costume, desde a Idade Média, no condado de Derbyshire, na Inglaterra, um torneio entre as cidades de Derby e Baslow. Todos os jovens – sem nenhum limite de número de pessoas, eram convidados a participar. O jogo, sem árbitro e sem nenhuma regra – do tipo vale tudo – consistia em levar a bola, feita de couro de boi, até a praça principal da vila adversária. Isso significava que o resultado era sempre 1 a 0, acompanhado de ossos quebrados, cabeças rachadas, fraturas expostas e ferimentos a faca, que, felizmente, eram poucos. Parece que a cidade de Derby se saía vencedora na maior parte das vezes, caso contrário uma partida entre dois times rivais não se chamaria dérby e sim báslou.    

domingo, 10 de dezembro de 2017

Teste 12: cicerone

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est
Resposta do teste 11: a
Teste 12: cicerone
a)   Paola Cicerona (1789-1850), dona da mais famosa pizzeria de Nápoles. Dotada de fino faro para negócios e de muito talento culinário, criou a famosa pizza napolitana (molho de tomate do tipo san manzano ou vesuviano, mussarela de búfala e manjericão fresco). Insistia em louvar as belezas de sua cidade natal, banhada pelo Mediterrâneo e ao lado do Vesúvio, cantando músicas típicas que encantavam seus fregueses, entre as quais O Sole Mio. Fazia questão de acompanhar pessoalmente grupos de turistas em excursões ao Monte Vesúvio. Desgraçadamente, morreu ao troppeçar e cair dentro da cratera.

b)   Nicolò Cicheroni (1413-1467), guia turistico da Torre de Pisa. Sabia tudo da famosa torre. E foi por isso que acabou perdendo o emprego. A cada degrau (são 296!), diante de cada sino (7), e em cada andar (8), Cicheroni parava e torrava a paciência dos turistas, enchendo-os de tanta informação que, antes do fim do passeio não sobrava ninguém. Triste e margurado, cometeu suicídio atirando-se do último andar. No local onde o corpo se espatifou, uma singela placa de mármore avisa: “Aqui morreu Nicolò Cicheroni”. Mas ninguém mais sabe quem ele foi.


c)   Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.), advogado, senador e grande orador. Com sua retórica impecável, era capaz de dar nó em pingo d’água. São dele, entre muitos outros, os seguintes aforismas: “Quam desiderabilia prudentia sit vitandum.” “Ut sint vina senectae funus malos bonosque clears.” E o meu preferido: “Maxima ignorantia de morbo in hominibus.” O significado é tão claro que dispensa tradução. Seu nome passou a ser sinônimo de guia turístico, porque ambos – tanto o advogado, como o guia - falam pelos cotovelos e não permitem ser interrompidos. Cícero morreu decapitado por ordem de Marco Antônio. “Fala muito,” este teria declarado ao decretar a sentença de morte. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

11. chauvinista

Quosque tandem, Temer, abutere patientia nostra?
Brasilia delenda est
Resposta do teste 10: c

Teste 11: chauvinista
a) Nicolas Chauvin, soldado francês que lutou ao lado de Napoleão, tendo sido condecorado pessoalmente pelo Imperador. Vaidoso, gostava de exibir suas medalhas (Cruz de Guerra, Medalha de São Luís e Ordem Nacional do Mérito), porém o que mais o enchia de orgulho eram suas cicatrizes – mais de 16! Nacionalista exacerbado, morreu sem jamais ter admitido a derrota do Exército Francês em Waterloo em 1815. Provavelmente um personagem fictício, tipo Pedro Malazarte.

b) Jean Pierre Chauvin, criador de porcos. Toda quarta-feira, Jean Pierre levava seus suínos até a feira de Camaret-sur-Mer, na Bretanha. Fazia tanto alarde a respeito  da superior qualidade de seus animais que passou a ser chamado de porco chauvinista. Provavelmente um personagem fictício, tipo Macunaíma.


c) René Chauvin, alfaiate. Sua clientela era constituída da mais alta burguesia do século XIX em Paris. Misógino declarado, odiava as mulheres, provavelmente por nunca ter conquistado nenhuma, mesmo frequentando os mesmos cabarés de Toulouse-Lautrec. Também, com aquele mau hálito...Em seu diário, foi encontrada a seguinte asneira: "As mulheres, por serem mais fracas, veem-se obrigadas a depender não da força, mas da astúcia; daí sua hipocrisia instintiva e sua eterna tendência à mentira.” Provavelmente um personagem fictício, tipo Dom Casmurro.