segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fábulas endêmicas: O mico do mico-leão-dourado

 O mico do mico-leão dourado
O mico-leão dourado convocou uma assembleia geral. Os bichos ficaram alvoroçados e curiosos. Era a primeira vez que isso acontecia. E lá se foram todos para o Rio de Janeiro, já que o mico-leão dourado é um animal exclusivamente fluminense. Não me refiro, é claro, ao time. É que ele não arreda pé do Rio. Você nunca vai encontrar um mico-leão dourado fora dos limites do Estado, a não ser enjaulado, é claro.

A bicharada não queria perder a oportunidade de conhecer a Cidade Maravilhosa. Foram todos – alguns a nado, outros voando, mas a maioria veio a pé mesmo. Menos as cobras, que por não terem pés ou patas, se arrastaram até o local da reunião.

- Muito bem – disse o mico-leão dourado, depois de se certificar de que todos já tinham chegado, inclusive o bicho-preguiça.

- Eu os convoquei, perdão, convidei para este encontro porque tenho algo importante para dizer.

Os animais ergueram as orelhas – os que tinham orelhas, é lógico.

- O que eu tenho a lhes dizer é que, de agora em diante, eu serei o rei de todas as matas, pântanos e florestas do Brasil.

Seguiu-se um silêncio que pareceu durar uma eternidade.

- Pode-se saber por quê? – atreveu-se a perguntar o jabuti.

- Por que o quê?

- Por que você acha que é o rei do pedaço?

- Ora, por quê! Porque eu tenho uma juba e vocês não. E se não bastasse isso, meu nome completo, para quem não sabe, é mico-leão dourado. Le-ão, ouviram? E o leão é o rei dos animais. Logo,...

- Desculpe – interrompeu o jegue, que de burro não tinha nada. Quer dizer, até tem, mas isso não vem ao caso. Você por acaso é parente dos felídeos?

- Hein?

- Os leões são felídeos carnívoros...

- Eu como carne, de vez em quando, sim! interrompeu o mico.

- Muito raramente. Você é mais chegado a frutinhas e insetos, que eu sei. E digo mais: você não é um felídeo, como a onça pintada, aqui presente, ou como a jaguatirica.

- Mas e a juba? Eu tenho juba!

- É pouco. Você não é rei nem aqui nem na China.

Envergonhado, o mico-leão dourado, pulando de galho em galho, se mandou de lá, debaixo de uma estrondosa vaia: relinchos, grunhidos, silvos, urros, patadas no chão e sei lá mais o quê.

Moral: Para ser líder, juba só não basta. Tem que ter cabeça.
O mico-leão dourado convocou uma assembleia geral. Os bichos ficaram alvoroçados e curiosos. Era a primeira vez que isso acontecia. E lá se foram todos para o Rio de Janeiro, já que o mico-leão dourado é um animal exclusivamente fluminense. Não me refiro, é claro, ao time. É que ele não arreda pé do Rio. Você nunca vai encontrar um mico-leão dourado fora dos limites do Estado, a não ser enjaulado, é claro.

A bicharada não queria perder a oportunidade de conhecer a Cidade Maravilhosa. Foram todos – alguns a nado, outros voando, mas a maioria veio a pé mesmo. Menos as cobras, que por não terem pés ou patas, se arrastaram até o local da reunião.

- Muito bem – disse o mico-leão dourado, depois de se certificar de que todos já tinham chegado, inclusive o bicho-preguiça.

- Eu os convoquei, perdão, convidei para este encontro porque tenho algo importante para dizer.

Os animais ergueram as orelhas – os que tinham orelhas, é lógico.

- O que eu tenho a lhes dizer é que, de agora em diante, eu serei o rei de todas as matas, pântanos e florestas do Brasil.

Seguiu-se um silêncio que pareceu durar uma eternidade.

- Pode-se saber por quê? – atreveu-se a perguntar o jabuti.

- Por que o quê?

- Por que você acha que é o rei do pedaço?

- Ora, por quê! Porque eu tenho uma juba e vocês não. E se não bastasse isso, meu nome completo, para quem não sabe, é mico-leão dourado. Le-ão, ouviram? E o leão é o rei dos animais. Logo,...

- Desculpe – interrompeu o jegue, que de burro não tinha nada. Quer dizer, até tem, mas isso não vem ao caso. Você por acaso é parente dos felídeos?

- Hein?

- Os leões são felídeos carnívoros...

- Eu como carne, de vez em quando, sim! interrompeu o mico.

- Muito raramente. Você é mais chegado a frutinhas e insetos, que eu sei. E digo mais: você não é um felídeo, como a onça pintada, aqui presente, ou como a jaguatirica.

- Mas e a juba? Eu tenho juba!

- É pouco. Você não é rei nem aqui nem na China.

Envergonhado, o mico-leão dourado, pulando de galho em galho, se mandou de lá, debaixo de uma estrondosa vaia: relinchos, grunhidos, silvos, urros, patadas no chão e sei lá mais o quê.


Moral: Para ser líder, juba só não basta. Tem que ter cabeça.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Tecnologia em sala de aula



Os que me conhecem sabem que eu sou jurássico. Tenho aversão ao desenvolvimento tecnológico de maneira geral. Botões, seja de que natureza forem, “give me the creeps”, como diria Banquo. Como ‘que Banquo?’? Banquo, o amigo de Macbeth! Qualquer hora eu explico isso.

Tive um carro, um possante Corcel duas portas 1969, que saiu de fábrica com quatro botões pretos na parte de baixo no lado esquerdo do painel. Dirigi esse carro por quase quatro anos sem jamais ter apertado qualquer daqueles botões. Nunca soube para que serviam.

“But I digress”, como diria Lestrade. Vão me dizer que não sabem quem é Lestrade? Lestrade, o investigador da Scotland Yard que sempre duvidava das deduções de Sherlock Holmes! Numa outra hora eu explico isso.  

Hoje eu quero falar de um estudo realizado pela OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development) e publicado pela BBC News (http://www.bbc.com/news/business-34174796).

Eis as surpreendentes conclusões do relatório, segundo Andreas Schleicher, diretor do Departamento de Educação da OECD:

·        os alunos que usam o computador com demasiada frequência na escola tiram notas mais baixas
·        já os que o usam com moderação, tipo uma ou duas vezes por semana, obtêm resultados de alguma forma melhores do que os que quase nunca o utilizam em aula
·        os resultados demonstram que não há uma melhora apreciável em leitura, matemática ou ciências nos países que investiram pesado em tecnologia da informação
·        os sistemas de ensino de alto desempenho, tais como os da Coreia do Sul e de Shangai, na China, apresentam níveis mais baixos no que diz respeito ao uso do computador em sala de aula
·        Singapura, que usa o computador moderadamente nas escolas, é top em matéria de habilidades digitais.

Como disse acima, sou jurássico. Passei quase toda minha vida usando em casa, uma valente Olivetti Lettera 22, com a qual escrevi milhares de provas, quizzes, apostilas e até meus primeiros livros, e na escola, uma caixinha de madeira onde carregava meus gizes (acreditem: giz tem plural!).

E daí? Daí que tenho certeza de que hoje em dia não conseguiria dar uma aula usando esses “modern gadgets”, como diria Justin Bieber. Esse vocês conhecem, não? Que lástima.


Deem-me uma lousa – verde, de preferência – e uns tocos de giz, e eu me viro (ou virava). Agora, o que eu, pobre de mim, faria com Edmodo, Grockit, EduBlogs, Wikispaces, Pinterest, Schoology, QuoraNingOpenStudy, ePals, MangaHigh, FunBrain, Educreations, Animoto, Socrative, KnewtonKerpoofStudySyncCarrotSticks e mais uma montanha de recursos que me amedrontam mais que cobra venenosa?
Em tempo: as cobras venenosas mencionadas acima encontram-se explicitadas em:


domingo, 5 de junho de 2016

Boring lessons



Richard Adams, editor de educação do The Guardian, publicou na edição de 2 de junho uma reportagem com o seguinte título:

English teacher whose 'whole class was bored' judged unfit to teach

Nome da professora: Gillian Scott
Escola: Breadalbane Academy
Cidade: Aberfeldy, na Escócia
Idade dos alunos: 11-14 anos

1.   O que fazia a “educadora” durante as aulas:
a)   lia para a classe romances inteiros, aula após aula, sem produzir nenhum comentário pessoal;

b)   ameaçava punir qualquer aluno que erguesse a mão para fazer uma pergunta (“Put your hand down. If you ask again you’ll get a warning.”);


c)   obrigava os alunos a copiar as normas da escola;

d)   propunha para alunos de anos diferentes os mesmos temas para redação: “What I did last week” e “What I did in my summer holidays”;


e)   projetava vídeos em classe, sem observações, comentários ou perguntas dirigidas aos alunos;

2.   Avaliação de seu desempenho:
a)    segundo David Macluskey, diretor da escola: “Expectations were set too low for the pupils and the point of lessons was never made clear.”

b)   segundo uma professora de uma outra escola: Her lack of enthusiasm for teaching  and for the class resulted in pupils becoming disinterested in participating in the lesson."


c)    segundo o GTCS (General Teaching Council for Scotland): "We have found extensive failings in her ability to plan and prepare lessons. Indeed, the panel considered that the evidence suggested that the respondent did not understand how to produce a lesson plan.
3.   Alegações da professora:
a)   “Why would I want to get to know them? I am there to teach them English.”

b)   “There was nothing wrong with my teaching.”

4.   Decisão da escola: suspensão por dois anos, podendo solicitar readmissão caso comprove ter melhorado sua didática. (She has been struck off the teaching register for two years, after which time she can re-apply.)

5.   Situação atual: trabalha numa outra escola, fora da Escócia.


Opinião pessoal: esta professora deve ser vista como um modelo, só que ao contrário: quem quiser ser professor (há ainda quem queira ser professor e viver desta nobre – sem ironia, por favor -  profissão?), deve espelhar-se em Ms. Gillian Scott e FAZER EXATAMENTE O CONTRÁRIO.



domingo, 29 de maio de 2016

Estereótipos brasileiros


Mais algumas semanas e chegaremos a julho, mês das férias escolares. Vem aumentando o número de agências de turismo que promovem pacotes ‘didático-culturais’, que compreendem parte aérea, estadia em casas de família, cursos de inglês e visitas a pontos turísticos e locais históricos na Inglaterra, Irlanda, Escócia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Até onde eu sei, é possível que eu tenha sido o primeiro professor de inglês de São Paulo a levar um grupo de alunos para a Inglaterra, na cidade de St. Albans, em 1987. No futuro, meus biógrafos encarregar-se-ão de verificar tal informação.
Ao chegar a qualquer um desses países, o aluno deve estar preparado para responder certas perguntas inevitáveis. Gabriela Kruschewsky publicou no The Huffington Post uma lista de “ridiculous things people say when they find out you’re Brazilian.”

Vou reproduzir suas (her) perguntas ou comentários e propor algumas respostas mais ou menos mal-educadas.
1.   “Are you from Rio or São Paulo?”
Brazil has an area of 8,500,000 km2, being nearly as large as the whole of Europe, which covers a total area of 10,180,000 km2. It is divided into 27 states, plus the Federal District. So you might as well ask if I am from Sergipe or Espírito Santo.

2.   “You must be really good at soccer...”
If you watch any of the so called clássicos, matches between traditional and famous soccer teams, you will probably change your mind. Players like Pelé, Rivelino, Neymar or Dani Alves are absolute exceptions. Most of us can hardly tell a ball from a pumpkin.

3.    “Do you speak Brazilian?”
Not yet. From a technical point of view, the language we officially speak is Portuguese, but we make so many mistakes that, yes, you’re right, we’re on the way of speaking Brazilian.

4.   “The capital of Brazil is Rio, right?”
Not exactly. Rio de Janeiro was the capital of Brazil from 1763 to 1960, when the new capital was inaugurated: Brasília. I said Brasília, not Buenos Aires, ok?

5.   “Oh yeah, you guys hate Argentina!”
We don’t hate Argentina, nor does Argentina hate us. How is it conceivable to hate a whole country? Remember: prejudice is another name for ignorance.

6.   “Sambaaaa.” “Riooooo.” “Peléééé.”
When you say ‘samba’, you probably mean bossa nova, which is beautiful, but you won’t hear it played in Brazil. Instead, your ears will be filled with atrocities such as sertanejo, rap and funk.
Rio...Ah, Rio! Beaches, girls, drug trafficking, shootings, you name it.
Pelé was great. He’s history. People no longer talk about him. It’s as if Americans sighed with longing every time they heard the name of Lincoln.

7.    “I love Brazilian food. Can you cook [insert dish here]?”
No, but I can fix you a hamburger, which we pronounce ‘amburgue’ (/@mbUrgi/), and has become almost as Brazilian as [insert dish here].

8.    “Really? You don’t look Brazilian. I thought maybe you were [insert other nationality here].”
Yes, it’s amazing that besides Indians and blacks, we can also be white, not to mention yellow!

9.    “That’s so cool, so do you see monkeys just running up and down the streets and stuff?”
Well, that sometimes does happen, but only when a chimp escapes from a zoo. As for stuff, yes, you’re right.

10.               “Why is your English so good?”
Thank you. Your English is not so bad either.
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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Let's talk about readers


 
            1.   Basic definiions:
a)   Reading means getting information from written material.
b)   A reader is a book that has been specially written or adapted for students of Enlish as a second language.

2.   Types of control:
a)   vocabulary control: number of words, choice of words, repetition, illustrations, glossary
b)   structure control: structures are to be introduced step by step, more or less like the majority of modern course books.

3.   Ways of learning a foreign language:
a)    living abroad (the best)
b)   reading (very useful)
c)   taking up a language course. (the worst, if I may say so)

4.   fluency: reading in Portuguese  X  reading in English.
a)   If you are reading a text in Portuguese, and the line you’re reading ends in apesar, you know the first word in the next line will be de. However, if you’re reading in English and the line ends in in order, you may not know that the next word will most probably be to.
b)   acquisition of vacabulary: learning new words by reading is pelasant, whereas learning new words by looking them up in a dictionary is demotivating.
c)   improvement of writing: reading influences writing in terms of spelling, structure adn vocabulary. “The more more you read, the better you write.”
d)   enjoyment: the pleasure of ‘being able to finish reading a book in a foreign language’.
e)   stimulus: encouraging to read other material.

5.   Suggestions:
a)   each student reads a different book of the same level and writes a summary about it.
b)   students provide the books themselves and read what they want, when they want and if they want.
c)   the same book is set for the whole class.

6.   Strategies:
a)   - ask students what kinds of stories they know (science fiction, adventure, ghost, horror, thrillers, love stories, fairy tales, etc.);
- write them on the board;
- write the titles of the chapters of the set book on the board;
- ask students where they fit;

b)   – write the title of the set book on the board plus the titles of the chapters;
– ask students to suggest a plot;
- divide the class into groups;
- give each group the title of a chapter and ask students to consider it a complete reader:
- do not tell them the title of the set book;
- give students the first and the last lines of any chapter and ask them what happens in between;
- give students copies of illustrations of the set book and ask them to make up their own plots.

c)   each student  suggests one sentence, which  writes on the board;
d)   students write a summary of the book at home.
e)   students are invited to guess what happens after the end.
f)     teacher prepares a list of features and students match them with the characters.
g)    teacher prepares a list of significant sentences used by the characters and students are to identify them.
h)   students may be asked to create illustrations, do some research or dramatise the story.
i)     exercises on vocabulary, grammar, comprehension and ‘far beyond’.