segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Diálogos Históricos Improváveis

7

- Que dia é hoje, Pero? – perguntou Martim Afonso de Sousa.
- Sábado, Martim. – respondeu Pero Lopes de Souza.
- Dia do mês, quero saber.
- 22.
- 22 de janeiro de 1532...E o onomástico?
- Não sei o que é isso.
- Onomástico, Pero, onomástico. Você não sabe o que é onomástico? Onomástico é o dia do santo!
- Ah, Hoje é dia de São Vicente, Martim.
- Pois bem. Esta vila que estou fundando hoje – a primeira deste novo país! -  eu vou chamar de Vila de São Vicente.
- Bem bolado, Martim.

8
- Fernando – chamou Dom Manoel.
- Cá estou, Alteza – acudiu rapidamente Fernando de Noronha.
- Sabes aquelas ilhotas na costa norte do Brasil?
- Sim, já ouvi falar.
-  Queres-as pra ti?
- Claro, Alteza.
- Pois considera-as tuas.
- Não sei como agradecer. Obrigado, Alteza. Qualquer dia desses eu dou um pulo lá.

Nunca deu.

domingo, 18 de outubro de 2015

Diálogos Históricos Improváveis

6
- Olha, - disse um dos primeiros portugueses que aqui chegaram. – a terra é muito bonita, as mulheres então, meu Deus! -  mas cadê as especiarias?
- É verdade.  – respondeu seu companheiro. - Há muita fruta por aqui, mas não dá para levar fruta para Portugal. Onde estão as ervas aromáticas, a pimenta, o gengibre, o cravo...
- A canela, a noz moscada, o açafrão, o cardamomo...hm...que delícia!
- Ouro, prata, pedras preciosas, então, nem pensar.
- Nem pensar...A única coisa que presta, aparentemente, é essa madeira avermelhada que pode ser usada como corante de tecidos.
- Como os índios chamam essa madeira mesmo?
- Alguns chamam de ibirapitanga, outros de pau-brasil.
- Pau-brasil soa melhor.

sábado, 17 de outubro de 2015

Diálogos Históricos Improváveis

3
No dia 26 de abril, domingo de Páscoa, Cabral mandou chamar frei Henrique de Coimbra, o capelão da frota.
- Frei Henrique, o senhor não acha uma boa ideia rezar uma missa hoje para a toda a marujada e também para os índios?
- Deus me livre e guarde!
- Por quê, homem de Deus?
- Mas será o Benedito que o senhor não reparou que esses índios, e principalmente essas índias, andam com as vergonhas de fora?
- E daí?
- Mas como é que eu posso me concentrar na Eucaristia com aquelas índias olhando para mim com um sorrisinho maroto?
- Já sei: o senhor celebra a missa de costas, olhando só para a cruz. As hóstias pode deixar que eu mesmo dou.


4
- Que tal, Comandante? Gostou da carta?
- Gostei, Caminha, gostei. Só o último parágrafo não me agradou. Esse negócio de pedir que Sua Alteza liberte o seu genro da cadeia não vai pegar bem.
- O pobrezinho já está preso há quatro anos, Comandante!

- Também pudera! Ele assaltou uma igreja e bateu no padre!  

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Diálogos Históricos Improváveis
À guisa de explicação: Os diálogos que se seguem não são improváveis porque dificilmente ocorreram., mas porque não é possível comprová-los. Mas que eles ocorreram, acorreram.

1
No meio do oceano, Nicolau Coelho, capitão que já havia viajado com Vasco da Gama à Índia, se volta para Cabral:
- Alguma coisa me diz que a gente devia dobrar à direita para chegar às Índias, Comandante.
- Que nada, Nicolau. Vai por mim. Indo sempre reto dentro em breve estaremos em Calcutá.

2
Uma vez em solo que mais tarde viria a ser a Bahia, Cabral anunciou à tripulação que iria dar o nome de Ilha de Vera Cruz àquele local.
- Comandante, - disse Américo Vespúcio, o famoso piloto italiano que por duas vezes já estivera em solo americano, - o senhor tem certeza de que isto aqui é uma ilha?
- Certeza, certeza, eu não tenho. Mas, que diabo, se não for uma ilha, o que será?
- Acho mais prudente, Comandante, chamar isso de Terra. Terra de Vera Cruz. Que lhe parece?
Cabral, para não dar totalmente o braço a torcer, concorda, mas só em parte:

- Está bem. Vamos chamar isto de Terra. Mas Terra de Santa Cruz, não Vera Cruz!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Diálogos improváveis da nossa história

Em 1494, seis anos antes do descobrimento, houve o famoso Tratado de Tordesilhas, que nunca foi levado muito a sério.
- Vamos fazer o seguinte, João, - disse Isabel I, rainha da Espanha e esposa de D. Fernando de Aragão: a gente vai até Tordesilhas, que é aqui pertinho, e assinamos um tratado.
- Que tratado? – indagou desconfiado o rei de Portugal, D. João.
- O Tratado de Tordesilhas, é óbvio. – respondeu o soberano espanhol.
- Não foi isso que eu perguntei, Fernando.
- Deixa que eu explico, querido, - interveio a Rainha Católica. – A gente traça uma linha reta a, digamos, 350, 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.
- Prefiro 370.
- Que seja: 370. Todas as terras a leste dessa linha pertencerão a Portugal. O que estiver a oeste será da Espanha. Que tal?
- Hm...parece razoável...Mas não sei, não. A gente não sabe exatamente o tamanho do mundo...Vai que do lado de lá os navegantes descobrem mais terras do que do lado de cá...Como é que fica Portugal nessa história?

- É um risco, João. Já pensou o contrário? Aí vai ser a Espanha que fica, literalmente, a ver navios, - disse Isabel dando uma risadinha, secretamente orgulhosa de sua metáfora.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

62.Novelas: De todas as novelas que eu não vi, a minha preferida é ‘A Agonia de Dilma’. Dessa, eu não perco um capítulo.
63.Contradição: Na política, não existe nada politicamente correto.
64.Justiça brasileira: Que tal inserir no novo Código Penal o seguinte artigo: Os crimes de homicídio, latrocínio, estupro e sequestro são imprescritíveis, a menos que tenham sido cometidos há mais de 6 (seis) meses, a contar da data da prisão em flagrante.  

65.Deu no Estadão: “Decreto fixa limite de gastos com celular para ministros e comandantes militares.” E aí eu pergunto: que merda é essa? Eles é que paguem de seus próprios bolsos, seus enormes bolsos, seus malcheirosos bolsos!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

PENSAMENTOS
62.Conversinha:
Otimista: Amanhã será um novo dia!
Pessimista: Pois é...
63.Prioridades: O Brasil pode se orgulhar de ser um dos poucos países em que as prioridades não raro se tornam secundárias.
64.Loucura: Não há presidente, primeiro ministro, chanceler ou ditador que não seja doido de pedra. A sanidade mental não combina com o cargo.
65.Desesperança: Cada vez que morre um palestino ou um israelense naqueles estúpidos conflitos no Oriente Médio, diminui minha esperança no ser humano.
66.Objetividade: Assim não dá. Quem é que aguenta uma coisa dessas? É preciso fazer alguma coisa. Até quando toleraremos uma situação dessas? Será que estamos destinados a sempre empurrar os problemas com a barriga. Há que se dar um basta a isso tudo! Bem, é isso o que eu tinha a dizer. O resto é com vocês.
67.Celebridades brasileiras: O triunfo da mediocridade.
68.Vento: Os políticos são como la donna de Verdi: sono mobili qual piuma al vento.

69.Abdômens: Uns se matam para ter uma barriga tanquinho. Há muito eu desisti disso. Agora ando com uma lavadora de roupas de 11 quilos acoplada à cintura.