terça-feira, 10 de julho de 2018

Adendo e indagações


ADENDO
Faltou fazer uma referência a Euclydes da Cunha, que em seu Os Sertões declarou que o sertanejo é antes de tudo um forte. Não consta que ele tenha incluído jogador de penteados pra lá de exóticos em sua descrição.

INDAGAÇÕES
1.   Os meninos presos na caverna na Tailândia: Certo. E o Neymar?
2.   13 milhões de desempregados: E daí? E o Neymar?
3.   12 milhões de analfabetos, ou seja, que não sabem ler o que está escrito na nossa bandeira: Tudo bem. Mas...e o Neymar?
4.   Lula sai da cadeia ou fica? Não sei. O Neymar?
5.   Corrupção em escala industrial, de cabo a rabo, de alto a baixo, apodrecendo o país inteiro: Lá isso é, mas e o Neymar?
6.   Eleições à vista: E daí? Cadê o Neymar?
7.   Os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais sujos que pau de galinheiro: Tudo bem, Já o Neymar...
8.   Planos de saúde, cada vez mais caros: Quiquitem? Eu quero saber do Neymar.
9.   Inflação: Não percebi. E também não sei onde se meteu o Neymar.
10.               Paulinho volta para a China dois dias após a eliminação do Brasil: Mas quem quer saber do Paulinho? Eu quero saber do Neymar. 


segunda-feira, 9 de julho de 2018

Neymar e a literatura


NEYMAR E A LITERATURA
O desempenho do nosso mais famoso craque despertou em mim antigas recordações literárias, que passo a compartilhar com vocês.
Em primeiríssimo lugar, como não poderia deixar de ser, Fernando Pessoa, que dispensa apresentações:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

O poeta, Neymar, o poeta...

Em segundo lugar, Graciliano Ramos. Autor de várias obras primas, tais como Vidas Secas, Angústia, São Bernardo, Insônia, entre outros livros imortais, Graciliano escreveu esta crônica, publicada pela primeira vez em "o Índio", em Palmeira dos Índios (AL), em 1921, com o pseudônimo de J. Calisto, da qual reproduzo alguns trechos:
Pensa-se em introduzir o futebol, nesta terra. É uma lembrança que, certamente, será bem recebida pelo público, que, de ordinário, adora as novidades. Vai ser, por algum tempo, a mania, a maluqueira, a ideia fixa de muita gente. Com exceção talvez de um ou outro tísico, completamente impossibilitado de aplicar o mais insignificante pontapé a uma bola de borracha, vai haver por aí uma excitação, um furor dos demônios, um entusiasmo de fogo de palha capaz de durar bem um mês.
Pois quê! A cultura física é coisa que está entre nós inteiramente descurada. Somos, em geral, franzinos, mirrados, fraquinhos, de uma pobreza de músculos lastimável.
A parte de nosso organismo que mais se desenvolve é a orelha, graças aos puxões maternos, mas não está provado que isto seja um desenvolvimento de utilidade. Para que serve ser a gente orelhuda? O burro também possui consideráveis apêndices auriculares, o que não impede que o considerem, injustamente, o mais estúpido dos bichos. Fisicamente falando, somos uma verdadeira miséria. Moles, bambos, murchos, tristes - uma lástima! Pálpebras caídas, beiços caídos, braços caídos, um caimento generalizado que faz de nós um ser desengonçado, bisonho, indolente, com ar de quem repete, desenxabido e encolhido, a frase pulha que se tornou popular: "Me deixa..." Precisamos fortalecer a carne, que a inação tornou flácida, os nervos, que excitantes estragaram, os ossos que o mercúrio escangalhou.
Consolidar o cérebro é bom, embora isto seja um órgão a que, de ordinário, não temos necessidade de recorrer. Consolidar o muque é ótimo. Convencer um adversário com argumentos de substância não é mau. Poder convencê-lo com um grosso punho cerrado diante do nariz, cabeludo e ameaçador, é magnífico. (...)
Mas por que o futebol?
Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade em jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacete, a faca de ponta, por exemplo? Não é que me repugne a introdução de coisas exóticas entre nós. Mas gosto de indagar se elas serão assimiláveis ou não.
Ora, parece-nos que o futebol não se adapta a estas boas paragens do cangaço. É roupa de empréstimo, que não nos serve.
Para que um costume intruso possa estabelecer-se definitivamente em um país é necessário, não só que se harmonize com a índole do povo que o vai receber, mas que o lugar a ocupar não esteja tomado por outro mais antigo, de cunho indígena. É preciso, pois, que vá preencher uma lacuna, como diz o chavão.
Temos esportes em quantidade. Para que metermos o bedelho em coisas estrangeiras? O futebol não pega, tenham a certeza.
Reabilitem os esportes regionais que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada e, melhor que tudo, a rasteira.
A rasteira! Este, sim, é o esporte nacional por excelência!
Todos nós vivemos mais ou menos a atirar rasteira uns nos outros. Logo na aula primária habituamo-nos a apelar para as pernas quando nos falta a confiança no cérebro - e a rasteira nos salva.
Cultivem a rasteira, amigos!

Graciliano errou no acessório, mas no essencial, foi tiro e queda. Nesta Copa, perdemos não porque nos faltaram sorte, talento ou estratégias táticas. Faltou-nos força física. Somos moleirões, fracotes e...cai-cai.

Em terceiro lugar, Carlo Collodi, autor de As Aventuras de Pinóquio, um romance escrito em Florença no ano de 1881 e publicado dois anos depois com ilustrações de Enrico Mazzanti. Como todo mundo sabe, o nariz de Pinóquio cresce toda vez que ele conta uma mentira. Se a farsa, o exagero. as caras e bocas produzissem o mesmo efeito em Neymar, ele tropeçaria não nas pernas adversárias, mas no narigão descomunal, do tamanho de suas encenações.


domingo, 8 de julho de 2018

NOTÍCIAS FRESCAS DA COPA


NOTÍCIAS FRESCAS DA COPA

Devido a circunstâncias alheias à minha vontade, tenho assistido a todos – repito – todos os jogos da Copa e já dá para tirar algumas conclusões:

- a globalização pôs fim ao futebol regional: jogam nos mais diferentes campeonatos jogadores de tudo quanto é canto: é japonês na Alemanha, é turco na Inglaterra, é brasileiro na Rússia e assim vai. Desta forma, o futebol vai ficando cada dia mais parecido com todo mundo. Uma geleia chata e homogênea, com os técnicos adotando táticas, esquemas e estratégias muito semelhantes.

- os jogadores, em sua grande maioria, jogam igual: é sempre a eterna variação do velho 4-2-4.

- são todos fortes, velozes, com um preparo físico de fazer inveja a qualquer maratonista. Por isso, jogadores técnicos, talentosos e de grande habilidade, mas franzinos, estão desaparecendo, dando lugar a grandões altos, que passam por cima de atletas considerados ‘normais’, que cabeceiam mais alto e chegam antes nas bolas, passando por cima de qualquer um que ouse atravessar seu caminho. Em tempo, se estão pensando que eu apoio jogador cai-cai e chorão, enganam-se: eu também odeio o Neymar.

- os abutres das mesas redondas, aqueles desocupados que aproveitam a Copa para faturar algum extra, falam um português de botequim, comportam-se às vezes como alguém sentado à mesa com um copo na mão, exprimem ideias surradas, usam e abusam dos eternos chavões e se mostram absolutamente incapazes de fornecer a mais remota possibilidade de alguma sugestão inovadora: as duas grandes novidades da Copa, o árbitro de vídeo e a quarta substituição na prorrogação, foram introduzidas sem que ninguém entre os ‘especialistas’ alguma vez desse algum palpite aproveitável.

- todo país desclassificado deixa um rastro de tristeza muito grande entre os torcedores. mas aqui é diferente: no mundo todo, as pessoas esperam que seu time vá à final. No Brasil, não. A gente não espera, a gente tem certeza de que vamos ganhar e, por isso, a frustração é maior. Consideramos quase uma heresia alguma seleção ser melhor do que a nossa. Mas é assim mesmo. Nós ganhamos cinco Copas, mas perdemos muito mais.  

- Last but not least: torci para a Bélgica.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Britain 12


Britain 12
56. Dodgem, bate-bate, brincadeira muito comum em parques de diversões, em que carrinhos movidos a eletricidade se chocam entre si, procurando atingir outros carrinhos e tentando desviar-se dos ‘adversários’.
57. dogs, corrida de cães, em que greyhounds, isto é, galgos, correm numa pista circular tentando alcançar um coelho mecânico. Os expectadores fazem apostas em seus cães favoritos, cada qual identificado com um número. Os galgos, não os apostadores.
58. Domesday Book, registro do censo determinado  por William the Conqueror no séc. XI.
59. double decker, ônibus, em geral de cor vermelha, de dois andares, muito comum em Londres. Para evitar acidentes, quem viaja na parte de cima é obrigado a ficar sentado.
60. Downing  Street , no. 10, residência oficial do/a Primeiro/a Ministro/a britânico/a, algo como o Palácio do Planalto em Brasília.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Britain 11


Britain 11
51. Derby, corrida de cavalos, realizada anualmente em Epson Downs. A Rainha quase todos os anos vai à corrida.
52. detached house, casa não geminada, que não divide parede com nenhuma outra. Detached houses são bem mais caras.
53. dinner jacket, “smoking”.    
54. district nurse, enfermeira diplomada, que trabalha para o NHS (National Health Service) e atende  pacientes fora do hospital dentro de uma certa área.
55. DIY, abreviatura de Do It Yourself, o hobby que consiste em fazer, sem ajuda de terceiros, reparos na casa própria. Móveis, serviços de pintura e objetos de decoração também fazem parte do conceito do ‘faça você mesmo’.

sábado, 9 de junho de 2018

Britain 10


Britain 10
46. Daily Express, tabloide londrino de grande circulação. Com exceção das eleições gerais de 2001, o jornal, desde o fim da 2ª Guerra, vem apoiando o Partido Conservador.
47. Daily Mail, tabloide londrino de grande circulação. Centro –direita.
48. Daily Mirror, tabloide londrino de grande circulação. Centro-esquerda. Em 2004 publicou em sua primeira página uma foto de George W. Bush, com a pergunta: How can 59,054,087 people be so DUMB?
49. Daily Telegraph, jornal de direita, de grande circulação. Apoia o Partido Conservador. Considerado um quality paper. 
50. Darts, jogo de dardos, muito popular em pubs e clubes de operários. Em geral, os jogadores alcançam de 300 a 500 pontos.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Britain 9


Britain 9
41. cuppa, modo informal de dizer a cup of tea.
42. curling, esporte popular na Escócia, que consiste em jogar sobre uma pista de gelo pedras feitas de granito, procurando, com a ajuda de varredores, chegar o mais próximo possível de um alvo.
43. custard, creme de cor amarelada, feito de leite, gema de ovo e açúcar. Ele pode fino ou grosso, dependendo da quantidade de ovos usados. É servido sozinho na sobremesa ou como cobertura de tortas ou bolos.
44. Cutty Sark, nome de veleiro usado no transporte de chá, hoje ancorado em Greenwich e transformado em museu. O nome é uma homenagem a Robert Burns, o grande poeta escocês que escreveu, entre outras coisas ‘Tom o’Shanter’, em que uma bruxa usava a cutty sark, ou seja, uma saia curta.
45. daffodil, uma flor amarela, símbolo do País de Gales, usada na lapela por muitos galeses no dia de St. David (1 de março).