terça-feira, 6 de janeiro de 2015

CONTA OUTRA, VÓ

1.    Era uma vez uma abelha transgênica que não produzia mel, produzia glicose.

2.    Era uma vez um macaco que detestava banana.

3.    Era uma vez um galo gago que não conseguia cantar “cocoricó” e parava sempre no “cococococó”.

4.    Era uma vez uma baleia tão pequeninha que cabia num aquário de lambari.


5.    Era uma vez uma raposa tão bobinha que ficou encarregada de tomar conta do galinheiro e cumpriu direitinho a função.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TEMPOS DE ESCOLA

7. DE COMO NÃO TAPEEI A POLÍCIA INGLESA

- Todo brasileiro é desonesto!
- Que é isso, cara? Tá maluco?
- Eu acho que brasileiro é, por natureza, desonesto. Está no DNA da gente. Eu não sei direito o que é DNA mas...
- O DNA é uma molécula localizada no núcleo da célula que...
- Pelo amor de Deus, nem tente me explicar. Não me interessa.
Se você, raro leitor, pensou que nesse diálogo eu sou o que discorda da afirmação, enganou-se. Eu acho mesmo que nós nascemos com uma inclinação inata para trapacear. Todos nós, inclusive eu, é claro.
Eu sou, digamos, razoavelmente honesto. Para os frouxos padrões nacionais, honestíssimo. Mas é por comodismo, por covardia. Por falta de coragem de aplicar um tremendo golpe na praça. E também porque eu não quero que me encham o saco. Como aconteceu lá em Santos.
Houve um tempo, lá no início dos anos 70, que eu e um bando de professores malucos de São Paulo, resolvemos abrir um cursinho em Santos, usando as apostilas do Equipe, onde todos trabalhávamos.
Uma tarde, era o último dia para a entrega da declaração do Imposto de Renda. Era ainda aquele formulário azul, enorme, complicado, que eu não sabia preencher. Quem fazia isso para mim era o contador do Equipe. Na última hora, o Walter (nome fictício) me entregou a declaração e eu fui para Santos. Chegando lá, dei a papelada para o secretário do Decisão (nós o chamávamos de Mexilhão) e pedi que ele a levasse a algum banco de lá.
Eu tinha imposto a pagar. E todo mês eu dava ao secretário um cheque para ele pagar o meu imposto devido.
Não é que que tempos depois eu recebo uma correspondência do Fisco, dizendo que eu não havia entregue a declaração e que eu tinha de pagar uma multa, com juros etc., etc. O disgramado do secretário não trabalhava mais lá nem morava mais em Santos.
Então, para evitar dores de cabeça desse tipo, eu pago meus impostos direitinho, não estaciono em lugar proibido, não furo fila e só atravesso na faixa de pedestre. Um modelo de honestidade.
Pois bem. Um dia eu estava Inglaterra com um grupo de alunos. Estávamos embolados numa esquina em Londres, atrapalhando os ingleses que passavam apressados e esperando o ônibus que iria nos levar de volta para a cidade em que estávamos baseados. De repente, uma menina gritou:
- Professor, roubaram minha carteira!
- Ein? Como? Não é possível! Mas como aconteceu? Etc.
A calçada ficou mais embolada ainda.
Não vou entrar em detalhes. O fato é que tinham batido a carteira da garota. Mais de 400 libras a tontinha carregava numa mochila presa às costas.
Não havia o que fazer. O ônibus chegou, entramos todos, a menina, desolada esforçando-se para conter as lágrimas.
À noite, contei o incidente para a minha landlady, a dona da casa em que estava hospedado.
- Você pode ir a uma delegacia e dar parte do furto, ela disse. Você tem 24 horas.
E seguiu explicando como funciona a polícia inglesa.
- Eles vão lhe dar um número. Quando a menina voltar para o Brasil, ela dá o número para o seguro dela e o seguro deve reembolsá-la.
- Mas acontece que amanhã nós vamos para Oxford.
- Well, nesse caso, não dá para fazer nada.
Aí entrou meu DNA.
- Eu posso ir a uma delegacia em Oxford e dizer para eles que o furto aconteceu lá mesmo em Oxford.
A inglesa imediatamente mudou de postura.
- I’m sorry, mas se você quer enganar a polícia inglesa, não conte comigo.
A conversa morreu aí. No dia seguinte, não ousei entrar numa delegacia na Inglaterra e, na cara dura, olhos nos olhos, mentir para um súdito da Rainha, mesmo que ele não estivesse usando um daqueles ridículos chapéus peludos.

Joyce, a garota, coitadinha, ficou no prejuízo.

domingo, 4 de janeiro de 2015

PENSAMENTOS

267.   Suspiro: Seria muito bom se o melhor amigo do homem fosse um outro homem, que abanasse o rabo quando a gente chegasse em casa. Melhor ainda, uma mulher.

5031.   Mistério: Se João 23 e João Paulo 2º eram santos, por que não fizeram, em vida, nenhum milagre digno de um papa, tipo acabar com o conflito na Palestina, ou pelo menos, pôr fim ao ódio entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte?

37.    Aula de economia (modéstia à parte): Para manter a inflação dentro da meta, basta dobrar o teto.

229.    Promessa: Assumo o compromisso de realizar todas – repito, todas – as obras mirabolantes que prometi durante a campanha, tais como 18 hospitais, 24.000 escolas, 57 novas estações de metrô e 895.000 quilômetros de ciclovias, contanto que a arrecadação ultrapasse os 400 trilhões de reais, que é o que a gente espera para este ano fiscal, segundo as previsões orçamentárias do nosso Secretário de Finanças.

50.416.    Resoluções de Ano Novo:
- Vou parar de fumar.
- Mas você já parou faz 9 anos!
- Era a única que eu achava que dava para cumprir.


6.    A frase que eu queria ter escrito: “A arte existe porque a vida não basta.” (Ferreira Gullar)

sábado, 3 de janeiro de 2015

PENSAMENTOS

1.    Cicero: Na minha velhice, coço cum dignitatem.


2.    A eterna orelha atrás da pulga: ela me trai ou não me trai?

3.   Geometria: É possível alguém estar quadradamente enganado?

4.   Justiça: A justiça tem de ser igual para todos – homens e formigas. Por exemplo: se você, mesmo embriagado, mesmo dirigindo acima do limite de velocidade, mesmo atravessando um sinal vermelho, atropela e mata uma, duas, cinco ou dez pessoas, - aos olhos da lei (da nossa lei) você não fez nada. É como se você tivesse atropelado uma formiga
. 
VARIAÇÕES EM TORNO DO ‘ROUBA MAS FAZ’:

a)   Faz que rouba e rouba mesmo!
b)   Mais rouba que faz.
c)   Finge que faz mas só rouba.
d)   Não faz outra coisa se não roubar.
e)   Rouba até o que faz.
f)    O que ele faz com o que rouba?
g)   O que o faz roubar?
h) Rouba mais, vai!
i) Claro que o crime compensa.
j) Eu acredito na justiça brasileira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

PENSAMENTOS

1.   Silêncio: Enquanto a Presidente discursava, o único som que se ouvia ao fundo era um tossido abafado e contido. Era a vaca.
2.    Plano quadrienal: A cada quatro anos, os novos governantes, reeleitos ou não, prometem consertar as besteiras perpetradas pela administração anterior. Ou seja, em política, a herança é sempre maldita.
3.    Discurso (sucinto) de posse: “Prometo mundos e fundos até o fim do meu mandato. Se não der certo, paciência. Muito obrigado.”

VARIAÇÕES EM TORNO DE UMA PALAVRA

1.   O adjetivo mais vilipendiado da língua portuguesa é ‘excelentíssimo’.
2.   Excelentíssimo é um curioso caso de palavra que designa exatamente o seu antônimo.
3.   Se alguém diz que um certo vinho é excelente, não há por que duvidar de tal opinião. Mas se disser que o vinho é excelentíssimo, as pessoas educadamente recusarão a taça que lhes é oferecida.

4.   Entre ser chamado de excelentíssimo Jelin e Jelin de merda, prefiro o segundo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

CONTA OUTRA, VÓ

71.    Era uma vez um papagaio que só conseguia imitar a voz de outro papagaio.

72.    Era uma vez um porco-espinho que ficou careca.

73.    Era uma vez uma coruja que tinha medo do escuro.

74.    Era uma vez um peixe que fisgou uma isca “deste tamanho”!

75.    Era uma vez um patinho que, além de feio, não sabia nadar. Os irmãos o ignoravam completamente.

76.    Era uma vez uma formiga tão egoísta, mas tão egoísta, que queria construir um formigueiro só pra ela.

77.    Era uma vez uma zebra albina com listras brancas e brancas.

78.    Era uma vez uma ovelhinha tão valente que achou que podia enfrentar o lobo, coitada...

79.    Era uma vez um urso panda que era discriminado pelos outros ursos porque tinha a cara preta com manchas brancas ao redor dos olhos.


80. Era uma vez uma andorinha tão extraordinária que, sozinha, era capaz de fazer verão.
PENSAMENTOS

101.   ABL: O que os imortais da Academia Brasileira de Letras mais fazem é morrer.


102.   Mal de Alzheimer: Essa doença faz de um homem uma embalagem vazia.

103.   Clichê: “Errar é humano”, dizia sempre o Judeu Errante.

104.   Ideias: Tal como 51, 69 é uma boa ideia.

105.   Paciência esgotada: Assim como está não dá! Ou mutatis ou mutandis!

106.   Deus: Um ateu pode ser honesto? Pode. Um crente pode ser um canalha? Também pode. Daí se depreende que Deus não tem nada a ver com honestidade.

107.   Racha entre os ambientalistas: Uns acham que é jabuticaba, com u, enquanto outros...

108.   Perseverança: De tanto bater na mesma tecla, acabou quebrando o computador.